INSIDE Motherhood / Maternidade

O que irrita a mamã – Irritações da Maternidade

Ontem, à hora do jantar, perguntei aos meus três docinhos o que eles achavam que irritava mais a mamã. As respostas, como os três, foram diversas mas acabam por revelar que todos eles sabem o que podem fazer para irritar a mamã. E que o fazem, portanto, conhecedores de que essa é uma consequência provável que o comportamento deles terá. Uma forma de negligência grosseira infantil, com as aproximações necessárias. Ora, meus amores maravilhosos, só isso já irrita a mamã que se sente presa num buraco com três torturadores profissionais, e de resultados garantidos. Pior, em quem ninguém acredita porque, por Deus, é só olhar para as carinhas amorosas e lindinhhas da minha magnífica turma para que todos fiquem convencidos no seu âmago mais íntimo de que isso, essa queixa, é apenas uma, mais uma, fake news de uma mamã irritada. E um pouco desesperada, vá! 

Estar sempre a dizer: “mamã

Ahhh, meu filho amado, isso irrita a mamã, muito exatamente. Não é chamar a mããããããããããeee a cada pouco, é chamar a mãããããããããeeee a todo o momento. Todo! Todo! Mesmo que eu esteja sentada à mesma mesa. Quando estou a dar banho ou a secar o rapaz. Quando eu estou a ler um livro. Quando eu estou na casa de banho – incrível, não é? As mamãs também vão à casa de banho! Quando eu estou a estender a roupa. Quando eu estou ao telefone. Sempre! Com um certo tom que carrega uma necessidade urgente de atendimento pela mãe, porque, provavelmente, ter-se-á declarado uma emergência mundial e eu preciso agora do teu apoio imprescindível e insubstituível! Agora! Sempre! Mãããããããããeeeeeeee! 

Dizer que não gosto da comida da mamã 

Amor da minha vida, isso não irrita a mamã. Isso põe a mamã DOENTE! Doente! Mesmo! Há lá coisa pior do que chegar a casa estafada, exaurida, absolutamente fanada em cada uma das poucas habilidades individuais que ainda vão resistindo ao desgaste do tempo, com a exata vontade de nos deitarmos a um canto e nunca jamais sermos chamadas e, muito menos, pensarmos em nos levantar, e ainda ter que pensar na ementa do jantar que vamos servir a uma horda de miúdos bárbaros, para, depois de termos o trabalho de o fazer o melhor possível que a experiência e o amor (porque é puro amor, a culinária, sobretudo nestes dias!) nos permitem, termos o olhar de puro nojo ou, melhor, absoluta repulsa, pela comida que de forma tão dedicada colocamos na mesa? 

Demorar imenso tempo a chegar à mesa 

E já que estamos a falar de comida e mesa e refeições: meus filhos amados, a vossa mãe fica muito irritada, mesmo muito irritada quando vocês demoram mais do que 5 berros a chegar à mesa. Os entendidos que me desculpem a unidade métrica subjetiva – o berro – mas para mim faz sentido! O pai ou mãe a quem pareça um motivo para me chamar e ter uma conversa entre pais ou mães, faxfavori de o fazer. A sério! Quanto mais não seja tenho um relance fugaz de uma realidade que eu duvido existir – um miúdo que não se mexa à força de berros. Pode ser! Não digo que não exista! Já vi coisas mais incríveis… E, portanto, aí estamos nós, depois de um dia cansativo, aturar a viagem de regresso no carro da “turma do barulho”, chegar a casa, apanhar rapidamente a roupa, trocar de fato, fazer o jantar, estar morta de vontade de me atirar para a cama e não pensar mais no mundo em geral e nos meus filhos em particular, colocar a mesa com algum decoro, chamar os anjinhos para a mesa uma vez, duas vezes… três vezes, dar o primeiro berro esperando que surta algum resultado diferente e finalmente puxar a sério pela voz de sargento de instrução (não que alguma vez tivesse tido instrução militar mas é assim que eu imagino. Bolas, uma pessoa aprende alguma coisa com os filmes de Hollywood!). E ter que ameaçar a sério a turba de lhes retirar os eletrónicos! É, meus filhos queridos, é desesperante! 

Viver a cacofónica Babilónia logo ao sair da cama  

Não sei se repararam que eu não escrevi acordar? Tem uma explicação: nas primeiras horas da manhã (duas, em contas grosseiras) apesar de me verem circular e cumprir com algum denodo as tarefas que me estão atribuídas, eu não acordei. Limito-me a seguir o roteiro em piloto automático e com o absoluto mínimo de atividade cerebral empenhada. A sorte é que, tirando os meus filhos, eu não preciso conviver com outros seres (exceção feita aos gatos que exigem também, e muito sonoramente, a comida que lhes está reservada pela manhã!) e eles estão quase habituados à lista de tarefas necessárias e que se devem seguir todos os dias pela manhã. Por isso, há um adiar de acordar mental até quase às 8 horas da manhã, mais ou menos a altura em que a primeira dose de café sobe ao meu cérebro, e só nessa altura é que eu acordo! 

Se ainda não estiverem irritados com estas atividades irritantes aqui do núcleo familiar, sigam-me para mais dicas… um dia destes, claro!

by Olga Canas

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