INSIDE Motherhood / Maternidade

Quebrar os mitos da maternidade

Quando penso em tudo que me contaram como menina e como mulher antes de engravidar, via a gravidez como uma utopia, como uma coisa etérea na qual viajaria em outra dimensão de plenitude e leveza.

Ficaria mais bonita, resplandecente, algo superior.

Daí engravidei.

Não senti nenhum enjoo, muito pelo contrário, uma fome descontrolada (engordei 15 kg nos 3 primeiros meses) e muito sono. Um sono que me fez dormir no trabalho e ao volante, e claro, fui proibida de dirigir.

Ou seja, nos 3 primeiros meses desta maravilhosa experiência senti-me gorda (ainda sem a barriga de grávida) e presa, já que onde eu vivia o transporte público era péssimo.

Ok, eu tinha esperanças, afinal também sentia um amor enorme pelo pequeno ser que crescia dentro de mim.

Daí a barriga começou a crescer e fiquei mais proporcional a uma grávida, meu corpo ficou mais bonito… e foi quando sentia dificuldade de caminhar, perdi o meu centro de equilíbrio, comecei a ter contrações precipitadas e não podia levar nenhum peso, ou melhor não podia se quer levantar.

Do começo ao fim, a gravidez foi mesmo assim. E penso que poderia escrever um livro gigante de reclamações sobre esta fase, mas ainda assim, o amor pela Ivy supera. A questão que quero abordar, entretanto, diz respeito ao que acontece assim a partir do momento em que a Ivy nasceu.

Bem, amamentei muito! Até 1 ano e 5 meses. Sempre tive muito leite e isso foi muito bom, gostava mesmo desta parte, apesar do cansaço que sentia.

A partir do momento em que ela nasceu, o meu foco se voltou todo para ela e eu era literalmente a mãe da Ivy. E foi quando ela começou a ganhar mais autonomia, a não precisar mais tanto de mim que percebi que faltava outra parte.

Quem eu era para além de ser Mãe?

Pensei muito sobre isso e olhei para a mulher que eu era e, sinceramente, não queria mais ser aquela pessoa.

As roupas das quais eu gostava tanto, podiam até me caber, mas não vestiam mais tão bem em mim.

Meu corpo mudou. Quadris maiores, mais largos. Seios definitivamente diferentes, caídos, murchos. Senti-me feia de verdade. Os meus seios foram um choque.

Lembro-me de ir falar com as mulheres da minha família: “Por que ninguém me disse a verdade?” e só recebi um sorriso maroto do outro lado. Minha mãe disse que não queria me desanimar. Dá para acreditar!?

Sim, desanimei.

Não conseguia mais ficar tranquila com o meu marido.

Comecei a pesquisar sobre próteses de silicone, e durante a pesquisa vi os riscos e logo deitei esta hipótese de lado. Não valia a pena colocar a minha vida em risco numa cirurgia “desnecessária” enquanto tinha uma filha para criar.

Deixei a questão do meu corpo de lado e fui tratar de descobrir quem eu era, não, de descobrir quem eu queria ser.

E olhar para dentro de mim foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. O autoconhecimento me deu prazer em viver, independentemente do meu corpo. O fato de ter consciência sobre o que eu quero, faz com que cada decisão que eu tome esteja de acordo com os meus objetivos.

Se eu pudesse dar-te um conselho, seria este, encare o autoconhecimento. Mas atenção, não o fiz sozinha. Não importava a quantidade de livros sobre o assunto que eu lesse, só comecei a progredir neste aspeto quando comecei a fazer Coaching. Recomendo muito!

Penso que seja isso: virar mãe é uma aventura!!!! Que está longe de ser perfeita ou ideal. Mas está repleta de mudanças e de amor incondicional! Foi a melhor, e mais difícil, coisa que já me aconteceu, e sou grata por isso.

Será que estou sozinha neste pensamento?

Cíntia Thurler

Bióloga de formação, fotógrafa de profissão e mãe e mulher de coração. Brasileira, portuguesa, escolheu Aveiro para criar a Ivy. Cultiva a autoestima nas mulheres e os sonhos nas crianças!

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