INSIDE Feelings / Sentimentos

O importante desta vida é saber viver

Suicidou-se um dos bons.

Só soube hoje. Soube agora mesmo que um colega meu de curso, boa pessoa, bem disposto sempre, se suicidou a semana passada. No ano passado foi um outro colega.

Penso todos os dias como posso ajudar as pessoas na sua saúde mental.

Sou jurista sim, mas escolhi a psicologia e as pessoas para trabalhar. E sou psicóloga também, não agregada à OPP.

Há 3 anos atrás, quando tive o meu colapso emocional (deveria ter sido internada pelos meus amigos, mas não fui, acho que estava tão mal que os amigos se afastaram de mim também), olhei à minha volta para a minha vida e perguntei-me porque estava tão miserável. Segui o caminho que a sociedade pediu: duas licenciaturas, um percurso em empresas de referência, criei a minha própria empresa, viajei o mundo todo.

Foi preciso chegar ao fundo do poço para compreender que estava a negligenciar-me a mim própria. Às minhas próprias necessidades. Andava a passear pela vida completamente dissociada. Nunca fui realmente feliz mesmo visitando lugares incríveis por todo o mundo, mesmo tendo trabalhado na ONU e em empresas fantásticas. Também não estava triste. Estava a existir.

Este é o sistema social por concepção e por definição: alcançar, executar, produzir. Ser uma máquina. E tanta gente me chama ainda hoje “uma máquina”…

Claro que quando se está deprimido, ansioso, ou completamente desprendido (olá sr. sistema nervoso completamente desregulado) isso é apenas um distúrbio mental saudável. Algo visto para simplesmente conseguir, para que possa continuar a sua vida “produtiva”.

Estou tão grata por esse período mau da minha vida porque me despertou. Um ano tão mau, mas tão mau, que acordei para a vida e para o que é viver.

Quem me dera poder dizer que esta viagem da vida é fácil. Não é. Quem me dera poder dizer que esta vida não é solitária. É. É muito, sim. Especialmente nos inícios e nos recomeços. Quem me dera poder dizer que toda a gente vai ter a vida facilitada. Não vai.

O que eu posso dizer é: a sociedade tem o “sucesso” catalogado e está completamente errado. O verdadeiro sucesso é ter TUDO. É ser capaz de dormir bem. É conhecer as suas intenções e acompanhar sempre com ações. É aprender que somos responsáveis pela nossa vida e de que somos mais do que capazes de criar uma vida que nos torna realizados. É dar sem expectativas. É deixar o ciclo exaustivo de procurar o amor de pessoas que nem sequer se amam a si próprias.

Cada escolha é uma oportunidade de viver e de se curar do que lhe faz mal.

Anabela dos Reis Moreira

Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!

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